A arte de ser infeliz

livro

Texto do colunista Juremir Machado da Silva,
publicado no jornal Correio do Povo, em 21/11/2017

Quer ler um livro útil, escrito com clareza e direcionado a qualquer um? É simples: “A arte de ser infeliz – desarmando armadilhas emocionais”, do psiquiatra gaúcho Nelio Tombini. Responsável durante 22 anos pelo serviço de psiquiatria da Santa Casa, não falta experiência ao autor nos mais diversos temas que afligem em algum momento a todos nós.

De que ele fala? Vejamos alguns títulos dos seus textos: “A vida está te tratando mal?”, “adoecimento mental sutil”, “beber pode virar doença”, “por que somos tão intolerantes?”, “você não tem essa bola toda”, “depressão, o mal do século”, “você quer sempre ter razão?”, “Por que sentimos tanta culpa?”, “os caminhos do adoecimento emocional”, etc. Nelio Tombini também está no YouTube.

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Vamos carregando pesos na vida que podem se transformar em fardos e limitar nosso cotidiano. Nelio começa o livro com um texto muito interessante intitulado “o descuidado com as palavras”. Termina assim: “Aliás, você sabe o que difere o bullying deste abuso a que me refiro? O bullying é uma violência física ou emocional intencional. O abuso verbal é uma violência emocional, mas inconsciente, o que o torna mais difícil de se perceber e até de se posicionar”. Quem já não sofreu? Quem já não praticou? Dói. Não adianta dizer depois, “brincadeirinha”. Ele dá exemplos. A mulher que comenta ao ver uma amiga feliz com o namorado novo: “Esse cara não combina contigo”. O cara que o apresentou a alguém assim: “Este é o Nelio Tombini, um psiquiatra meio louco”. Vou confessar: eu odeio abuso verbal. E sou vítima quase que diariamente. Já falei aqui. Sou hipersensível. Digiro lentamente. É o cara que diz ao pegar um autógrafo de um novo livro:

– Agora sim. Este eu sinto que é bom.

O livro de Nelio Tombini não é de autoajuda. Também não é um compêndio para especialistas. Cada capítulo é uma crônica que nos puxa para algo importante. Nelio vai direto aos pontos. Desnuda contradições e paradoxos de nossa complexa psique. Fala neste tom de conversa entre amigos: “Gosto de fazer a analogia entre corpo e mente. Quando temos uma doença exclusivamente do corpo, é frequente a presença de dois sintomas que são fundamentais para buscarmos ajuda: a febre e a dor. Quando a mente adoece também surgem duas vertentes de sintomas que sinalizam que precisamos de socorro: a depressão e a ansiedade”. Por que falamos de nossas doenças físicas e evitamos comentar sobre nossas doenças mentais? Por que esse preconceito?

É mais um tema debatido pelo psiquiatra no seu livro. O autor se expõe, conta casos acontecidos com ele, não se coloca numa posição doutoral de distanciamento absoluto, participa do jogo. O resultado é a imediata interação. Na simplicidade aparente de cada relato ou abordagem se revelam as mais frequentes dores da alma experimentadas pela maioria de nós nesta corrida permanente contra o tempo e contra aflições que surgem do nada e se instalam feito posseiras dentro dos nossos corpos produzindo somatizações esquisitas e assustadoras.

“Em decorrência de nossas decisões, de nossas palavras, de nossos sentimentos, de nossas ações, podemos, inconscientemente, criar dificuldades para nós mesmos”



Mesmo sendo cultos, inteligentes e tendo dinheiro, podemos ser analfabetos emocionais.

ZONA DE CONFORTO = ZONA DE DESCONFORTO

O perigo de avançarmos na idade e nos mantermos emocionalmente infantilizados!

Depoimento de Rafael Bicca Machado | CMT Advogados